Decidi escrever, em português, algumas críticas de livros que estou lendo e, a primeira delas é sobre o livro “VHDL – Descrição e Síntese de Circuitos Digitais” de Roberto d’Amore (2ª Edição, LTC, 2012). Gostaria de deixar claro que não tenho nenhuma relação com o autor ou com a editora e, portanto, a crítica representa simplesmente a minha opinião sobre o livro. Esse livro apresenta a linguagem de descrição VHDL, enfatizando o seu uso para a síntese de circuitos digitais.

Aparentemente ele é um livro popular em língua portuguesa sobre VHDL. Sem dúvida é uma boa referência sobre o assunto, apresentando e discutindo diversos detalhes da linguagem e de como funciona a síntese dos conceitos na prática. Porém, o público alvo do livro parece ser usuários médios e avançados de VHDL. As informações são organizadas buscando facilitar a consulta a um determinado comando ou conceito da linguagem. Porém, para um leitor buscando aprender a linguagem, a leitura é difícil e não muito didática – havendo nos primeiros capítulos diversas referências a seções posteriores. Um exemplo simples disso é a apresentação das classes de objetos em VHDL, no capítulo 2. A seção 2.2 apresenta o conceito de variável, afirmando que elas são empregadas em códigos sequenciais – mas somente no capítulo 4 se discute códigos sequenciais.

Apesar de o livro enfatizar a síntese de circuitos, não há uma separação clara dos conceitos que podem ser sintetizados em ferramentas dos que, em geral, não podem. Em muitos casos a explicação de que o conceito não pode ser sintetizado é feita somente no final do texto sobre aquele conceito. Pessoalmente isso me incomodou bastante. Assim como eu, imagino que muitos dos leitores estão interessados apenas nos conceitos que podem ser sintetizados. Porém, como não há uma boa organização, muitas vezes tive que ler e reler um texto para tentar entender um conceito, descobrindo em alguns parágrafos depois que aquilo não podia ser sintetizado – e, portanto, não era relevante para mim.

Um ponto positivo do livro é a seção “Cuidados na Descrição”, existente em diversos capítulos. Nela são evidenciadas as diferenças entre o conceito apresentado e construtos similares. Um outro ponto positivo é a discussão de problemas na síntese do circuito devido à alguns detalhes na descrição.

Conclusão

Para quem já conhece VHDL, o livro é uma boa referência. Ele é especialmente útil ao considerar as limitações e os problemas de algumas ferramentas para escrita de código VHDL. Porém, não o recomendo para quem quer um tutorial inicial de VHDL, tendo o seu primeiro contato com a linguagem. O texto não me pareceu suficientemente didático.

Por fim, o preço de R$129,00 (em 24/06/2013) me pareceu caro para um livro de quase 300 páginas.

One thought on “Crítica – Livro "VHDL – Descrição e Síntese de Circuitos Digitais"

  1. Tenho o “VHDL – Descrição e Síntese de Circuitos Digitais” e o “Eletrônica Digital Moderna e VHDL”. Também não achei muito didático e nem cheguei a terminar a leitura. Já o segundo, tem uma leitura massante, cita que alguns tópicos serão discutidos mais adiante, mas o legal dele é que vem apresentando tópicos de eletrônica digital (algumas vezes mostra como é em nível de transístor), fala sobre microeletrônica, apresenta uma introdução ao VHDL, e possui breves tutoriais em SPICE, Quartus II e Modelsim. Achei interessante para quem esta començando por ter vários tópicos no mesmo livro.

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